caminho de Santiago? não? Lebaniego? ãh? diga-nos só a cor das setas!

02 de julho 2017
Lafuente – Potes
1143 m de subida acumulada
1192 m descida acumulada
27,82km

Desta vez abandonámos o carro da Zuca, não nos Olivais, mas em Lafuente! Não conhecem?!?! Nem vocês, nem ninguém – uma aldeia espanhola em Cantabria, que viemos a saber, nos dias seguintes, ninguém conhecia.

Albergue de peregrinos de Lafuente: banho, jantar, dormida e pequeno-almoço – 11€. Perfeito.
Apresentamos as credenciais de peregrinas e perguntamos por onde segue o caminho de Santiago.
– ¿Santiago? ¡No! Lebaniego.
– Ruta Vadiniense de Santiago… 🤔
– Camino Lebaniego….
– As setas amarelas! 🤨
– ¿Amarillas? ¡No! ¡Rojas!
– Queremos ir para Potes! 😫
– Si. Las flechas rojas.
– Sim, sim. É isso 😳 🙄

(…que os santinhos 😇😇😇 e o wikiloc estejam connosco)

O caminho começa com uma subida de 320 metros, mas com uma paisagem que deslumbra, sempre. Montanha com toda a sua beleza e magnificiência. O tempo todo wow!

Com tanta paisagem para absorver, Como seria de esperar escapou-nos uma seta e o wikiloc estava no bolso 🤔🤔🤔 O nosso nível de deslumbramento era tanto que nos distraimos e subimos demais  😂

Valeu-nos, um pastor-trail-runner que corria estrada acima atrás de meia dúzia de vacas fugitivas – que nos fizeram saltar o rail da estrada 😮 – e que ainda conseguiu, ao mesmo tempo que corria, dizer ¡Buenos días!, ¿Dónde van?  ¡Están equivocadas!  ¡Tienen que volver y salir de la carretera!

Reencontrado o caminho, descemos até Cicera, mais uma daquelas aldeias pitorescas, onde parámos para um pequeno shot de cafeína.

De seguida esperava-nos: a segunda subida a competir com a primeira, 360 metros, no meio de uma encantadora floresta 🌳🌳🌳 com lama 👌; o convívio próximo (quase íntimo mesmo!) com uma manada de vacas – pedimos ao padroeiro-das-gajas-da-cidade que elas não espirrassem, tossissem, dessem um passo, ou respirassem sequer profundamente enquanto passávamos no meio, mas conseguimos! 🐄💪🙏 ; e encontrámos também um grupo de espanholas que nos informaram, depois de saberem para onde íamos, que estávamos a fazer a Travessia dos Picos da Europa… alguém que nos diga o que andamos a fazer, por favor! 😉

Chegadas a Lebeña, avisaram-nos que subirmos até Cabañes era muito duro e totalmente desnecessário(!), para Potes era sempre em frente.
Mas o certo é que depois de 16km e 700 metros de subida acumulada, estávamos no ponto certo para nos desafiarmos 😏 bora!
Última subida, para não destoar das outras, 375 metros.
Depois de muito dizermos “mas isto não acaba nunca?!”, lá chegamos a Cabañes onde parámos para beber uma coca-cola no Albergue, onde até poderiamos ficar a dormir, mas já só faltavam 12km e quase nada de subida e nós dissemos que íamos até Potes e fomos.

Chegámos mortas. Jantamos na praça à espera da chave do albergue, e dormimos no mesmo quarto que um dinamarquês bêbado, que haveríamos de voltar a encontrar, na noite seguinte, já trêbado, em Fuente Dé.

27 kilometros, 3 subidas punk rock a competirem umas com as outras, 12 horas de caminhada.

O maior desafio? As vacas!

 

 

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